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E32: o que o novo teor de etanol na gasolina muda dentro do tanque da sua embarcação

E32; etanol na gasolina; bomba de combustível; sistema de combustível; manutenção náutica.

 

A partir de 1º de agosto, a gasolina comercializada no Brasil passa a contar com 32% de etanol anidro (E32), conforme resolução aprovada pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE). A medida, inicialmente válida por 180 dias, tem como objetivo reduzir a dependência da importação de gasolina.

Mas, para quem trabalha ou navega no ambiente náutico, a mudança vai além do posto de combustível. Ela afeta diretamente o sistema de alimentação do motor, especialmente um componente que trabalha em contato constante com o combustível: a bomba de combustível.

Neste artigo, explicamos o que muda na prática, por que embarcações são mais sensíveis ao aumento do teor de etanol e como proteger o sistema de combustível.

 

O teor de etanol na gasolina brasileira sobe de forma praticamente constante desde que a mistura obrigatória foi instituída. Em 1998, o percentual era de 24%. Foi para 25% em 2003, chegou a 27% em 2015 e alcançou 30% (E30) em agosto de 2025, menos de um ano atrás. Agora, o percentual evolui para 32%.

Além disso, o próprio governo já estuda a viabilidade de uma futura mistura E35.

Para quem desenvolve componentes para sistemas de combustível, esse histórico é importante. Cada aumento exige maior resistência dos materiais e coloca à prova peças que, muitas vezes, foram projetadas quando a gasolina continha muito menos etanol.

Na Oceano Brasil, essa realidade faz parte do desenvolvimento dos nossos produtos há mais de duas décadas.

 

Ao contrário dos automóveis, embarcações costumam permanecer dias ou semanas paradas na marina, expostas à umidade, à maresia e às constantes variações de temperatura.

Nesse cenário, existe um fator que merece atenção: o etanol é higroscópico, ou seja, absorve a umidade presente no ar.

Com o tempo, essa água pode se acumular até ocorrer a chamada separação de fases. Quando isso acontece, forma-se uma camada de água misturada ao etanol no fundo do tanque, onde normalmente está localizada a captação de combustível.

Com o aumento do teor de etanol para 32%, essa condição tende a acontecer com mais facilidade, principalmente em embarcações que permanecem longos períodos sem utilização.

 

O etanol utilizado na gasolina brasileira é o chamado etanol anidro, que possui baixo teor de água.

Mesmo assim, ele continua absorvendo a umidade que entra no tanque através da condensação ou da própria atmosfera.

Enquanto existe um equilíbrio entre gasolina, etanol e água, o combustível permanece homogêneo. Porém, quando esse limite é ultrapassado, o etanol deixa de permanecer misturado à gasolina e se concentra junto com a água, formando uma fase mais densa que se deposita no fundo do tanque.

O aumento de 30% para 32% não altera esse mecanismo químico, mas reduz a margem de segurança. Em outras palavras, uma quantidade menor de umidade já pode ser suficiente para provocar essa separação.

E justamente por permanecerem mais tempo expostas à umidade, as embarcações são muito mais suscetíveis a esse fenômeno do que veículos utilizados diariamente.

 

Quando a separação de fases ocorre, os impactos aparecem em diversos componentes do sistema.

  • Bomba de combustível: A bomba deixa de trabalhar apenas com combustível e passa a aspirar uma mistura contendo água, resíduos e sedimentos. Isso aumenta o desgaste interno, reduz a eficiência e pode comprometer sua vida útil.
  • Vedações e mangueiras: Nem todos os elastômeros suportam concentrações maiores de etanol. Sistemas mais antigos, que utilizam borrachas convencionais, tendem a apresentar ressecamento, endurecimento e rachaduras com maior facilidade.
  • Componentes metálicos: A presença de água favorece processos de corrosão em peças metálicas do sistema de alimentação, especialmente em componentes de alumínio e latão.
  • Filtros: A separação de fases também favorece a formação de depósitos e impurezas, reduzindo a vida útil dos filtros e aumentando o risco de restrições no fluxo de combustível.

 

Na prática, esses problemas normalmente surgem de forma gradual: partidas difíceis, perda de desempenho, funcionamento irregular ou falhas justamente quando o motor é mais exigido.

 

A legislação que autoriza o aumento do percentual de etanol exige estudos de viabilidade técnica antes da aprovação da nova mistura. Entretanto, essas validações são direcionadas aos veículos automotivos.

Motores de popa, centro-rabeta, jet skis e outras aplicações náuticas não fazem parte desse processo oficial de validação.

Isso não significa que toda embarcação apresentará problemas com o E32, mas reforça a importância de utilizar componentes preparados para a realidade do combustível brasileiro.

 

Embora não seja possível escolher a composição da gasolina comercializada no país, algumas medidas ajudam a preservar o sistema de alimentação:

  • Evite deixar a embarcação parada por longos períodos com pouco combustível no tanque.
  • Inspecione periodicamente mangueiras, vedações e conexões.
  • Antecipe a troca dos filtros quando houver histórico de combustível envelhecido ou longos períodos de inatividade.
  • Faça a drenagem da água acumulada no fundo do tanque como parte da manutenção preventiva.
  • Utilize componentes desenvolvidos para trabalhar com os atuais teores de etanol presentes na gasolina brasileira.

 

 

Entre todos os componentes do sistema, a bomba é a que permanece em contato contínuo com o combustível. Quando há água, resíduos ou separação de fases, é ela quem sofre os primeiros impactos.

Por isso, na Oceano Brasil desenvolvemos nossas bombas de combustível pensando na realidade do mercado brasileiro.

Nossa tecnologia FLEX foi projetada para suportar os combustíveis comercializados no país, oferecendo maior resistência ao etanol, proteção contra corrosão e desempenho consistente mesmo diante das variações naturais da gasolina.

Cada bomba passa por testes individuais antes de sair da fábrica, garantindo a confiabilidade que oficinas, distribuidores e navegadores precisam.

 

O aumento do teor de etanol é mais uma etapa da evolução dos combustíveis brasileiros e tende a continuar nos próximos anos.

Quem trabalha com manutenção náutica sabe que essa mudança exige atenção redobrada ao sistema de alimentação.

A composição do combustível está fora do controle de quem navega. Mas a confiabilidade dos componentes que fazem esse combustível chegar ao motor não precisa estar.

 

Na Oceano Brasil, desenvolvemos soluções preparadas para a realidade da gasolina brasileira, porque desempenho e confiança começam muito antes da partida.

 

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