Entre os meses de junho e novembro, quem pretende navegar pelo litoral de Santa Catarina precisa redobrar a atenção. Nesse período, as baleias-francas migram para a região em busca de águas mais quentes para reprodução e cuidado com os filhotes, aumentando a presença desses grandes cetáceos próximos à costa. Conhecer esse fenômeno e respeitar as regras de navegação é fundamental para garantir a segurança no mar e a proteção das baleias.
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Entre os meses de junho e novembro, Santa Catarina recebe a visita de um dos maiores mamíferos marinhos que existe. Já sabe de quem estamos falando?
As baleias-francas (Eubalena australis) vivem grande parte do ano em regiões de águas frias, como o entorno da Ilha Geórgia do Sul, no oceano Atlântico, e a Península Antártica. Durante o inverno, elas percorrem cerca de 3 mil quilômetros em uma longa migração até o litoral brasileiro, em busca de águas mais quentes e calmas, ideais para o nascimento e a amamentação de seus filhotes.
Em Santa Catarina, os principais registros desses cetáceos ocorrem nas cidades de Laguna, Imbituba, Garopaba e Florianópolis, tornando a região um dos pontos mais importantes para a observação da espécie no Brasil.
Com um fenômeno tão especial acontecendo tão perto de nós, é natural sentir vontade de conhecer de perto essas visitantes ilustres. No entanto, é importante respeitar algumas regras para garantir tanto a segurança das pessoas quanto a preservação das baleias.
Quem pretende sair ao mar para observar as baleias-francas deve estar atento às normas de aproximação. O uso de motor engrenado a menos de 100 metros do animal é proibido, sendo permitido religá-lo apenas quando houver uma distância segura de, no mínimo, 50 metros. Também é proibida a prática de mergulho ou natação, com ou sem equipamentos, a uma distância igual ou inferior a 50 metros da baleia.
Mesmo mantendo a distância adequada, não é permitido perseguir o animal por mais de 30 minutos nem bloquear sua rota de deslocamento. Outro ponto importante é evitar ruídos excessivos, como música em volume alto, a menos de 300 metros de qualquer cetáceo.
Essas e outras regras estão previstas na Portaria IBAMA nº 117, de 26 de dezembro de 1996, e o descumprimento pode resultar em multas e outras penalidades.
Caso a baleia se aproxime espontaneamente da embarcação, como já ocorreu em diversos registros, o ideal é manter a calma. Não acelere o motor. Desligue-o ou mantenha-o em neutro, respeite as normas de segurança e aproveite esse momento único proporcionado pela natureza.
VOCÊ SABIA?
- A Baleia Franca tem esse nome pois, por conta de sua lentidão e por frequentar a região costeira, era considerada alvo fácil pelos antigos pescadores na época da armação baleeira.
- Os chamados “esguichos” das baleias não são jatos de água. Na verdade, elas expelem ar quente dos pulmões que, ao entrar em contato com o ar frio da atmosfera, forma uma nuvem de pequenas gotículas, criando essa impressão.
- As baleias francas possuem calosidades no topo e nas laterais da cabeça. Essas estruturas são espessamentos naturais da pele que surgem ao nascimento e permanecem ao longo de toda a vida. O padrão dessas calosidades é único em cada indivíduo, funcionando como uma verdadeira impressão digital.